Sexta - feira, 9 horas e 07 minutos - noite.
Eu e meu brigadeiro de panela.
Uma fuga de sala de aula. Discussões pelo msn.
Telefones que nunca tocam.
Onde estarão as pessoas, afinal?
Num parque de diversões, sento com algumas crianças numa roda que desliza.
Sinto minha cabeça girar.
Uma fincada no estômago.
Um quase delírio.
Escuto os gritos felizes das crianças, e sinto o meu corpo gritar de desespero: - Me tira daqui!
As estrelas agora parecem mais tontas do que minha cabeça.
Sararacuteiam no manto azul escuro, e percebo que elas podem zombar de mim.
Então, ainda girando, olho ao redor. As árvores passando rapidamente, a grama, os cabelos esvoaçantes dos pequeninos.
Até a roda parar de girar...
O corpo sente como se a dose mais forte de alcool tivesse lhe sido enfiada pelas veias.
As pernas se cruzam, se descruzam, se contorcem.
Parecem não obedecer aos meus comandos.
Nem nada mais...
Meu estômago ainda dói. Horas depois da cabeça destontear.
Arde, queima, reverberiza o estado febril do meu corpo adoecido de espera.
Mas alguém lá disse...
- O discurso é o mesmo!
HAHAHA. Que venha a canoa branca. Apenas pra me levar pro mar.
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