sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Uma princesa nunca satisfeita

... E então a bela princesa pulou da janela do seu quarto no sexto andar do castelo, sendo amortecida pela grama fofa do jardim. Seu rosto fora cortado por alguns espinhos de uma roseira plantada estrategicamente ali para que se um dia ela planejasse uma fuga, não teria coragem de por em prática. Mas nem o fato de obter cicatrizes pelo corpo a fez parar.
Começou a correr e correr entre as árvores gigantes e as fontes que faziam enfeite no belo palácio até chegar em um muro de concreto tão alto que sua visão era impossibilitada de enxergar seu fim. Observou detalhadamente os buracos entre cada tijolo e sem pestanejar pôs-se a escalar o muro com os pés descalços. Levou um ou dois tombos e parou um pouco agachada ao chão para que algumas lágrimas de desespero começassem a rolar pelo seu rosto. Foi quando ouviu gritos. Alguém percebera sua ausência, então mais do que nunca saltitou por entre o concreto e com sacrifício e muitos cortes pelos braços e pernas, chegou ao topo. À descida pensou: - "Já cheguei até aqui, vou até o fim." E pulou, espatifando-se no chão duro e preto de cimento.
Pôde ver então na descida do morro, a cidade que tanto desejou conhecer. E assim toda rasgada, suja e esfolada, caminhou em direção ao povoado parecendo mais uma mendiga do que uma princesa aprisionada num castelo de mentiras.
O povo, no fim do morro, pensa que lá em cima existe um palácio coberto de ouro e outras riquezas, onde seus habitantes são harmoniosos, ricos e felizes.
Mas lá existe uma força negra que aprisiona mulheres, deixando-as perdidas dentro de si mesmas, sem saber na verdade quem são.
Mas a princesa havia esquecido que pra viver na cidade é preciso dinheiro, roupas adequadas, trabalho digno ou morar sob a ponte...
Abandonou seu mundinho obscuro e entregou-se ao mundo ainda mais cruel que seu quarto no sexto andar de um palácio fictício.
E agora trabalha de empregada numa venda de laranjas, escravizada ao tempo e à mercê de seu patrão, sem horas extras e sem finais de semana.
Sente falta do tempo em que olhava a janela e imaginava o mundo mágico que existia por trás do muro.
Mas qualquer vida que escolhesse seria uma droga. E agora só pensa em voltar pra casa.

*Qualquer semelhança é mera coicidência.

Cristiane.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

No plans

Eu tinha tanta idéia do que eu ia ser no futuro...
Eu ia ser cantora, antes de tudo. Era um segredo meu com o espelho e uma capa de fita cassete que eu usava de microfone. Minhas bonecas sentadas em cadeiras baixas eram o público e eu sabia de cor cada coreografia que a Daniela Mercury fazia. Gostava de imitar a Elis e também fazia performances da Sandy mandando o Jr rebolar.
Mas minha música preferida na época era a do Anjo que a Angélica cantava. Ela tinha uma voz enjoativa e hj eu sei o quanto ela desafinava. Mas a música já era uma previsão do que viria a ser minha vida (amorosa)...

"Ele era um anjo vagabundo
Que caiu no mundo pra cuidar de mim
Me deu um beijo como prova de amor
Se você quiser, anjo, outro beijo eu dou.

Eu dou sim, eu dou sim.
Se você quiser, é só pedir pra mim.
Eu dou sim, eu dou sim.
Se você quiser, é só pedir pra mim.

Acordei no dia seguinte
Contei até 20
E não vi ninguém
Será que é sonho, ou realidade?
Será que alguém viu um anjo na cidade?!"

Ahh eu era tão aplaudida pelas minhas ilusões momentâneas.
Depois eu quis ser médica, mas eu era preguiçosa demais pra concorrer com tantos estudiosos do mundo todo.
Então depois de amores, amigos perdidos, vestibulares, dias sem dormir, fui ser fisioterapeuta...
Eu ia me casar no fim da faculdade. Tinha planos de romeu e julieta...
Quando acabou e eu precisei tirar as 78 fotos das paredes do meu quarto, quem chorou comigo foi a minha Tetê... que falava, depois vai ter que por tudo de novo.
Foi a primeira vez que eu pus tudo a perder...
Eu me formei, e por três longas vezes, joguei tudo pro alto por nada. Nem sei. Amei tanto, tive raiva e depois amei de novo.

E hoje, jogada em um fim de mundo com isso tudo nas mãos. Conforto, lazer, comida.
O básico ainda está aqui e eu poderia rir e me sentir afortunada... Mas meu coração pula de pensar que se eu fosse vendedora de camelô em SP eu estaria mais feliz do que aqui.

Preciso de alguém pra conversar... Preciso de alguém pra chorar no colo. Pra me carregar. Alguém que pare o mundo pra eu descer. Pq eu estou no meu limite hoje.

Mas só hoje eu vou chorar um pouco, fazer de conta que minha vida tá ganha e deitar como se não houvesse trabalho a fazer.
Só hoje eu vou deixar a preguiça dominar...
E vou escrever até eu dormir por não conseguir mais ler uma letra sequer...


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

CONSULTA MÉDICA

Olá doutor...
Preciso usar você como se fosse um homem de batina, sentado atrás das grades de madeira esperando o próximo confesso...
Eu sinto dores quase todos os dias, que se iniciam por volta das 6 da manhã e se estendem até o outro dia amanhecer. Ás vezes me distraio e ela some, depois volta a incomodar de mansinho até tomar proporções avassaladoras que me fazem correr de um lado para o outro e rezar por uma solução. Algumas vezes ela vem tão intensa que me faz vomitar. Outras vezes o remédio não dá conta e eu vou tomando, duas, três, dez cápsulas até desmaiar de uma quase overdose e então, ela me dá sossego.
Essa dor começa no baixo ventre, lá no fundo, como se meu útero pegasse fogo. Muitas vezes eu sinto como se estivesse abortando, embora nunca tenha vivido experiência parecida.
Ela sobe e anda pelas minhas costas como uma cobra buscando uma vítima e estaciona por alguns momentos na boca do estômago, me fazendo perder o ar.
Então eu puxo pelo nariz bem forte e sinto um alivio por dois ou três segundos, e ela retorna como uma mata pegando fogo, mas de dentro pra fora. Tenho febre por uns minutos.
Não sinto fome, nem sede... Não tenho prazer em me alimentar de coisas que antes eu comia com os olhos.
Não sinto vontade trabalhar, pq quando eu me encolho igual feto no útero, parece que aos poucos a dor se incomoda e vai sumindo. Mas não posso me esticar rápido que olha a danada lá de novo.
Sabe, doutor, eu não vou em clínicas mais, nem em postinhos pq é sempre a mesma coisa.
Assim que essa dor passar, vou acreditar que Deus arrancou de mim por milagre, algo que poderia me matar......

- INSANIDADE MENTAL DE UM ÚTERO DOENTE -

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Just me and the Dog


Eu tentei fugir daqui. Tentei pensar que por um instante tudo seria diferente. No meu lar ou dentro de mim. Tentei me alimentar de esperanças remotas, de acasos distantes. Por um segundo quase consegui ser normal.
Eu ando pela casa desligando as luzes, tropeçando nos chinelos. Estão sempre no meio do caminho e eu nunca me lembro onde os deixei. Passo esmaltes com vidrilhos nas unhas pra tentar me iluminar de algum jeito.
Minha cama de bichos fria e longa, recheada de travesseiros pra disfarçar o vazio. O nada!
As contas chegam, o telefone toca... E eu quero apenas ficar aqui, assim, sentada na cadeira de balanços olhando a chuva tão fina. Tão triste.
Lá embaixo há um jardim, com rosas multicoloridas. Sei de cor cada uma que nasce e meu coração arde por cada uma que cai.
Como se agora não tivesse mais nada além de mim e o jardim... Eu e meu cão...
E não há.

@Inverno no Leblon - Adriana Calcanhoto

- Apenas (...)

sábado, 9 de outubro de 2010

E eu...


Olá meu amigo...
Se passaram 26 anos desde que meu pai e minha mãe produziram um bebê com o nome de Cristiane, da qual a alma penada a usar este corpo seria a minha.
E tanta coisa aconteceu desde então. Aulas práticas da vida, teorias de sucesso, fracassos...
Eu fui uma pessoa sociável, tinha muitos amigos, ainda que eles não fossem tão amigos assim.
Cantei, estudei, me diverti, me formei, bebi. Amei muito, todos os meus. Amei cada pessoa que passou pela minha vida de forma a saber perdoar cada maldade e cada pedra que me atiraram.
Amei até demais.
Por fora lhe pareciam uma dondoquinha, mimada e egoísta, mas eu sei o quanto eu fui pura para aqueles que decidiram passar por cima das aparências e me conhecer profundamente.
Vivi muitos contos de fadas com fins lastimáveis. Sofri por cada um deles. Guardei no coração, escondido de mim mesma.
E agora, me resta essa vida. Monótona, inerte.
Os pouco amigos que ficaram, vão-se embora lentamente. Quase que suave a partida. Mas eu sinto uma dor que chega a cortar a voz.
O meu conto de fadas virou realidade no momento em que percebi que não dava pra arrumar o cabelo todos os dias porque eu comecei a dormir demais. E quando meus bolsos ficam vazios, também não se tem um final muito feliz. E na vida real existem rotinas a serem cumpridas e tudo fica chato demais ás vezes.
Nem sei como andar aqui. Sinto medo, frio, sono.
Meus pés se curvam e não dão a passada certa todas as vezes e eu ando caindo demais.
Mas enquanto eu durmo, tudo passa. E eu posso sonhar com titanic´s e Austin Aimes.
Também posso ouvir vozes e ver pessoas que já morreram.
E agora eu quero dormir mais...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ás vezes me sinto mesmo caminhando em Nuvens... Não aquelas nuvens de algodão citadas ai em cima. Elas realmente não são doces. É como se eu pisasse firmemente, mas elas se desfisessem e ai eu vou cambaleando até quase cair.
Fazem 7 meses que estou aqui. e7 na minha vida é sempre definitivo.
Contando graduação com pós-graduação, minha vida estudantil até agora durou 7 anos.
Minha ida pra SP tentar uma solução pro coração durou 7 dias. Minha morada em Caldas Novas da primeira vez durou 7 meses. Meu excelente emprego no Intituto de Medicina Estética durou 7 meses. Minha sobrevida na clínica MITRA durou 7 meses. E agora passo pela pior época da minha clinica, com direito a crises existenciais e falta total de dinheiro, exatamente no 7º mês.
Ahh, esqueci de dizer que meu atual namorando ou noivo, como queiram, é meu 7º pretendente. E ele me pediu em casamento... (pediu?!)
Enfim... Tenho tidos maus momentos aqui. Meio tristes e monótonos. Alguns acham que reclamo de graça, ou que estou com depressão. Me mandam enxergar as bençãos. Mas nesse segundo eu só vejo a minha doce garrafa de vinho, minha panela de brigadeiro e meus filmes. Como disse antes, ainda que namorando, sozinha escrevendo num blog que ninguém lê.
Minhas amigas daqui tem mais de 60 anos e não é um bom lugar pra se ter vida noturna...
Eu não canto mais, não fico mais de pileque, não tenho mais cartão de crédito e aqui não tem shopping pra eu ir pra pet ver os cães da vitrine.
Sinto falta dos tempos antigos, dos meus velhos e bons amigos, do medo que eu sentia quando pensava em me formar. Sinto falta de sentir borboletas no estômago quando me apaixonava... E dos momentos em que simplesmente eu pegava o carro e saia por ai sem rumo.
Tenho enormes piscinas no meu condomínio e lindos jardins... Mas ninguém pra compartilhar...
Me sinto uma velha jogada, com um fim trágico ou um casamento rotineiro...
Feia, gorda, sem cantar...
E essa dor de compartilhar com uma tela inerte, ninguém jamais vai entender...

@nobody´s home

- Sad and lonely

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Larvas de estômago...


Já sentiu as borboletas no estômago quando se apaixona? Aquele frio na barriga, os olhares.
Hj senti exatamente o contrário.
No início pareceu fome, depois senti vontade vomitar...
Minha espinha esfriou, como se um fantasma estivesse me cutucando o ombro.
Meu coração acelerou de modo a faltar o ar e meu corpo tremeu de um jeito diferente. Como se minha alma chacoalhasse dentro de mim.
Senti vontade chorar, gritar, correr, mas fiquei sem reação.
Esperando passar a crise da doença que tenho de achar que sei de tudo.
Ele apenas continuou ali, conversando ao telefone, enquanto eu quase desmaiava.
"O que eu fiz?" Ele me questiona... Mas eu dei-lhe asas e devagarinho ele voa do meu ninho, sem dar sinal pra si mesmo, sem perceber...
Eu vou encolher minhas pernas nesse resto de folhagem e vou chorar baixinho até a próxima chuva chegar...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Sobre relacionamentos, casamentos, finanças e afins

Cá estou eu pesquisando sobre como sair do vermelho... Em plena segunda-feira, no msn, com o twitter aberto, às 15:27, sem pacientes e sem perspectivas...
Então percebi que tenho que poupar. Fiz e refiz cálculos e descobri que está fácil solucionar meu problema, mas ainda vai levar até o fim do ano pra conseguir pagar tudo e entrar o ano novo respirando melhor.
No entanto tenho medo de dizer aos especiais que não posso ir a tal festa tão planejada, pq simplesmente não tenho o dinheiro do convite. Ou que aquela viagem tão gostosa pra ver os amigos será adiada pro ano que vem... Mtos são os planos, mas os caminhos árduos demais.
Mas tenho metas. Um texto bobo, servindo de desabafo pq não posso ainda falar com ng.
Blog retomado como forma de psicologia do abandono.
Vou até minha gerente do banco, gritar socorro pelas abusivas tarifas encontradas no meu extrato.
E hoje inicia uma nova fase. Sem orkut´s, sem fofocas e em breve sem dívidas...
Até breve com mais uma publicação de mudança momentânea ou persistiva de identidade.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Senti falta de você...

Um repente...

Esse blog paree ter sentido quando há tempo para escrever...
Quantos anos... Achei por acaso perdido em perfil do google.
Então eu vejo várias de mim daquilo que fui um dia. E sinto tanta saudade que meu coração chega a gemer.
Geme na mesma altura do meu cachorro quando está a namorar sua gata de pelúcia.
Mas não com aquele prazer de virar os olhos.
Eu podia ter mudado tudo. Mas agora estou aqui mesmo. Numa cidade distante. Não tão sozinha quanto disse que ia ser. E o futuro que tanto escrevi é o aqui, o agora.
A minha clínica tão cheia de gente. Meu namorado tão dedicado. Meu cão que faz festas inacabáveis ao perceber que mais um dia e não o abandonei.
É o meu apê sendo só meu.
E eu não vivendo tudo aquilo que planejei, mas o sonhos de outrem que agora faz parte de meu presente.
E meu futuro à Deus pertence...
Sorte daqueles que souberam seguir seus passos ditos desde criancinhas...
Sorte de mim que segui de qualquer jeito e ainda sim acabei aqui.
Mas ainda sim, dói de saudade...

sábado, 23 de janeiro de 2010

MAIS LUTOS... ETERNOS LUTOS...







E eis que me pego ao volante, sob as águas de março que tendem a cair em janeiro.



Um cavalo na pista, um deslize, chuva...



Derrapo em meio ao matagal que corta ao meio as duas pistas. Meu coração grita.



Vamos todos morrer!!!



O carro derrapa e parece flutuar em direção ao nosso último suspiro.



E um alívio.



Devem ter sido Anjos que fizeram segurar o controle e não permitir mais um velório.



Esses mesmos Anjos que vieram buscar meu amigo, quando exatamente igual ao Rafa, ele veio voar sobre as pistas e ficar estendido ao chão.



A doce lágrima escorrida nas faces que perderam seus amores.



O luto eterno dos que aqui ficam, até que sigam suas vidas normalmente e seus pensamentos se voltem para outras tragédias...



Deus deve ter feito uma seleção... Anda levando os bons.



Acho que quis montar sua própria banda e escolheu a dedo quem iria tocar.



Aqueles que dedilharam as guitarras de suas vidas em direção à algo tão maior. Ou que trocaram suas baquetas de madeira por baquetas de luz.



Em homenagem ao meu querido Ricardinho, nosso baterista tão loiro e iluminado. E em homenagem antiga e persistente aos que ainda rondam meus sonhos celestes mais intensos e confusos.



Que a partir de agora, o sucesso de vocês permaneça "Divinamente" em nossos corações.






RAFAEL SANTIAGO RINCON + 13/03/2004



ANDERSON OLIVEIRA COSTA + 20/09/2009



RICARDO CANATO + 17/01/2010