terça-feira, 31 de março de 2009

NOSTALGIA

Sentada a beira do nada, de um jeito onde meus pés não tocam o chão... Um caderno de folhas amareladas às mãos me fazem companhia. A caneta desenha algumas palavras tortas e fora da linha por causa do céu escuro e sem lua que paira sobre a minha cabeça.
Sinto que esfria. Agora é a hora de chegar o vento gelado da madrugada, que congela as mãos e a ponta do nariz.
E eu com algum agasalho velho, escrevo cartas que jamais serão lidas... E que na verdade, não tem destino certo.
Fico pensando no quanto as pessoas inventam coisas para tentar se livrar da culpa de seus erros. Lembro-me quantas desculpas me pediram, e no quanto eu acreditei ser verdade as belas palavras de perdão daqueles que um dia feriram minha alma.
Simplesmente porque eu não sou só corpo e infelizmente vivo as coisas com o espírito.
Estática, consigo não movimentar meus olhos para que nenhuma gota mísera de lágrima escorra dos meus olhos, por um passado tão medíocre e sem sentidos.
Mas afinal, sobre os meus ombros surgem o peso de ter permitido a saída ou a entrada de cada dificuldade minha.
Eu consigo balançar os pés na tentativa de esquentá-los, em vão...
E sinto o ar cortante no meu rosto, enquanto meu corpo treme.
Podia pular de lá de cima, experimentando a queda como fosse uma libertação dos momentos vividos, das dificuldades, do frio...
Sabe... Eu até consigo enxergar meu corpo caindo...
Vi ele cair tantas vezes e tantas vezes eu o ergui, sem forças, sem esperanças.
Uma carcaça que a cada queda é preciso dar outra vida.
Ao olhar em frente, vejo o nada... Porque meus olhos vêem aqueles pontinhos brilhantes que surgem quando a gente fecha os olhos, e apesar dos meus estarem abertos, na escuridão, consigo ver além do meu corpo caindo, um monte de estrelas que ninguém mais vê.
E aquelas folhas amareladas o vento leva consigo, apenas ele consegue ler. E eu fico com as memórias daquilo que um dia desejei ser, e do caminho que um dia sonhei seguir...

"Aos pescadores e toda a orla que agora encontra essa garrafa, digo-lhes que fui feliz, que amei e fui amada, e agora em forma de bússola, parto dessa vida, para encontrar meu próprio Norte..." Crys Ribeiro.

segunda-feira, 30 de março de 2009

PODE IR


"Se quiser ficar, pode ser o meu menino, alisarei os seus cabelos todas as noites e cantarei pra você uma canção. Mas se quiser ir embora, pode ir, te guardarei no coração, junto com todos os outros que já se foram..."


domingo, 29 de março de 2009

TEXTOS DA MADRUGADA


Vem, senta aqui do meu lado... Deixa eu te dizer o que eu tenho sentido. Na verdade eu tenho tantas histórias, tantos momentos vividos. Mas agora já está frio. E o vento encaracola meus cabelos negros como se fossem as mãos caridosas de alguém que teve piedade de mim.
Posso te dizer que eu tentei fazer meus amigos entenderem que eu morro por eles, até hoje. Os melhores somente, e que quando eles ficaram pra trás dos meus momentos sublimes, não foi porque eu quis, mas porque eu precisei ir, pra voltar melhor depois.
Eu quis te contar que eu estava bem, mas agora já não estou mais...
Meus dias passam como um trem desesperado pela chegada, lotada de passageiros desconhecidos. Cheio de histórias de outras pessoas que um dia se cruzaram ou cruzarão com a minha.
E então eu olho pra você e seus olhos pulsam de vontade conhecer o que é a vida, essa grande surpresa que pode lhe vir boa ou má.
E ao me olhar no espelho, só vejo cicatrizes...
Então eu coloco uma canção. E eu viajo no tempo, um passado que não me foi assim tão gentil com o coração. Mas me deu forças e coragem pra encarar a vida de um jeito que eu talvez não acreditasse dar conta.
E essa sua ganância em curtir seus momentos de solidão. E os meus já estão tão gastos e sofridos que gritam por alguém que nem eu mesma sei quem é.
Me vejo sentada no sofá com um balde de pipocas vendo filmes de amor no final de semana. Com a companhia de um telefone que nunca toca.
E uma música toca: " Look to your heart and you´ll find love..."
Como se você não soubesse o que é esse vazio...
Agora você me olha, olhares condenados. Um imenso julgamento daquilo que eu deveria ter sido para a sociedade.
Uma bonequinha de porcelana que apenas falasse ao comando de uma voz. Que apenas sentisse desejos quando estivesse deitada na cama, sozinha, imaginando os homens que deveria ter se insinuado.
Não! Não posso ser assim. Não sou assim!
Eu sou essa grotesca aparente santa, que teme e chora o erro de cada passo incerto e, no entanto, não hesita em se "insinuar".
Pode ser que sejam as pessoas erradas, e então todas estariam erradas...
O que me consola é esse desconhecido que canta pra mim...
"And you make me love love".
Repetidas vezes falarei pra ti que eu estava lá quando todos se foram. Ou eu que fui, afinal.
E quando a gente volta o mundo pode não ser assim tão generoso.Você acha que vai ser fácil, mas não vai!
Se eu apenas seguir meu coração, em pouco tempo estarei no abismo...

Um boa noite mais extravagante, pela necessidade de se dormir em paz, só hoje!
Crys Ribeiro.

Totalmente sem sentido.

quinta-feira, 26 de março de 2009

SEXO E BRIGADEIRO

Um dia você acorda, abre os olhos e se dá conta de que naquele momento está sozinha.
Pode até ser que seus bichinhos de pelúcia ou suas bonecas antigas e negras de poeira possa lhe fazer companhia, mas quando a sombra bate, eles parecem monstros esperando a hora certa para atacar.
Se não fosse aquela vontade infinita de ter as mãos embaraçadas no cabelo, talvez bastasse um chocolate apenas.
Mas e daí, derrepente um chocolate não vá manter oculto o seu desejo de ser consumida.
Por aqueles lábios carnudos e aquelas mãos ardentes que envolvem sua cintura como se fosse fosse uma dançarina de balet.
Ahhh mas o cacau em forma de barras faz sua boca se contorcer.
E você consegue mordiscar um ou dois pedaços e fechar os olhos. E sentir o seu corpo tremer.
Pode então dormir tranquila e depois acordar sem ter o coração estilhaçado pela ausência de um corpo que nunca te pertenceu.
Brigadeiro engorda, mas não maltrata o coração.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Eu, NO ALTO!



Esse relicário que você guarda suas peças preciosas e memórias que não podem ser apagadas...
Eu era apenas uma criança tentando entrar no meu castelo de areia. Senti a força de seus pés pisando na torre mais alta... Eu ia ficar lá dormindo, bela adormecida, esperando que o ogro viesse no lugar do príncipe.
Então pus fogo no meu relicário. Apaguei as memórias com as cinzas ao vento.
Quebrei as pernas da minha bailarina de cristal, porque ela já não girava suas curvas como antes.
Destrui os sonhos... Rasguei os planos...
Mas qm é que vive sem sonhar??? E todas as vezes que eu deito naquele travesseiro de plumas eu sinto minha cabeça afundar e consigo ver um futuro diferente daquele que eu planejava quando tinha 15 anos.
Agora estou parada debaixo de uma copa de árvore. Tão verde que cega os olhos.
E a chuva cai sobre nós duas tão forte que dói.
E eu dou gargalhadas estridentes ao invés de chorar, como se fosse uma louca recém saída do manicômio. Porque não ia adiantar de nada mesmo eu dizer que estou triste, se ao meu lado só tem aquela árvore.
Dou as mãos para ela, e me estaciono...
Dá pra ver a estrada lá embaixo, depois das montanhas... E as buzinas da pressa do homem.
E eu continuo rindo.
“ Estou no alto agora, vocês não podem me alcançar...”

quarta-feira, 18 de março de 2009

DESENCONTROS

Ahh! Não me atinja assim!
Eu não escolhi nascer dessa forma, nessa bolha!
Não queria ter esse coração... Frágil e bobo!
Tonto, capaz de sentir dor, piedade, louco pra pedir perdão.
Eu poderia sofrer menos se conseguisse ver mais o meu sofrimento do que o seu!
Mas ando tão cansada...
E nem consigo dormir.
Meus olhos parecem ficar abertos planejando o próximo acontecimento, pq necessariamente não posso me sentir sozinha a ponto de sentir sua falta.
A gente se perde no meio do caminho.
E derrepente a gente se encontra.
Mas significa encontrar com si mesmo. E eu me encontrei.
Não deixe que eu me perca. Pq precisei perder vc pra me achar...

segunda-feira, 16 de março de 2009

SONHOS


Ele achava graça da minha mão pequena... Ria quando eu trocava os nomes das músicas que eu fingia conhecer absolutamente.

Quando eu cantava escondida no banheiro quando a água do chuveiro fazia aquela acústica perfeita.

Eu rezava pra que aquilo fosse eterno...

As minhas roupas justas e o meu casaco de pele. As minhas botas finas e elegantes por cima da calça jeans e ele pensava: "como aquilo entrou nela?"

Cada linha do meu rosto em que ele passava o dedo e pintava com sua memória.

Quando ele fazia aquela cara de menino carente e me chamava pra tomar sorvete na praça.

O meu cheiro era sempre o melhor, meu sorriso era sempre o mais doce, minhas músicas sempre as mais encantadoras canções de amor.

Eu parecia voar toda vez que ele me tocava... Ele esperava o momento certo.

Paciência com minhas dúvidas, meus medos, minhas crises...

Eu era a menina dos olhos dele.


... A janela estava aberta e o Sol entrou cabuloso e bateu justamente na minha cara.

E eu acordei!

Deve ter durado mais ou menos parte da noite até eu ver os amigos correndo bebados e semi nus pelo corredor da casa, pedindo café, ou mais um gole de cachaça.

O bafo de álcool espanando um pedido de "sexo". Argh!

E depois as gigantes e conflitantes crises de ciumes sem fundamento.


... Acordei num salto!

Pulei da cama, vesti uma roupa qualquer, lavei o rosto e fui trabalhar...

Independência!

Rompi a casca do ovo e liberei o último "sapo".


E ouvi alguém dizer: "Welcome back!"


E comecei a escrever sobre como sexo e brigadeiro tem o mesmo sabor no final...


quinta-feira, 12 de março de 2009

REDENÇÃO


Eu estive morta... Sim! Morta!
Com aquela queimação no peito terrível parecendo um infarto fulminante. E morri pecando. Causando dor.
Pude ver a mágoa nos olhos daqueles que cruzavam meu caminho.
Fiz lágrimas rolarem na face de um sentimento que eu sabia não renascer...
Morri. Fui enterrada. No túmulo das minhas próprias ações.
Num caixão coberto de erros. De tropeços. De discórdias.
Então eu consegui me contorcer na caixinha de madeira e juntar minhas mãos. E então rezei.
"À Deus, de infinita bondade, peço minha redenção... Eu pequei, Senhor. Mas qual o homem que não comete erros? Crucifique-me, mas tira dos que amo a dor de não poder contar comigo. Porque afinal, eu morri pra tantos que eu quis absurdamente estar viva.
Liberta minha alma dos passos insanos e não me permita agora em vida eterna cometer atrocidades. E purifique àqueles em que meu espinho tocou o coração, para que eles saibam a hora de me perdoar... Amém!"
Então, senti o suspiro, e a madeira se rachando... É o começo!
Acredito ter tido a segunda chance que todos buscam, mas ainda falta mais...
Viva de novo, vou em busca dos acertos que eu esqueci lá atrás...
E se for necessário eu vou morrer de novo, mas não pelos mesmos motivos agora.
E levo meu blog comigo!
Crys Ribeiro.
De novo!