
Olá meu amigo...
Se passaram 26 anos desde que meu pai e minha mãe produziram um bebê com o nome de Cristiane, da qual a alma penada a usar este corpo seria a minha.
E tanta coisa aconteceu desde então. Aulas práticas da vida, teorias de sucesso, fracassos...
Eu fui uma pessoa sociável, tinha muitos amigos, ainda que eles não fossem tão amigos assim.
Cantei, estudei, me diverti, me formei, bebi. Amei muito, todos os meus. Amei cada pessoa que passou pela minha vida de forma a saber perdoar cada maldade e cada pedra que me atiraram.
Amei até demais.
Por fora lhe pareciam uma dondoquinha, mimada e egoísta, mas eu sei o quanto eu fui pura para aqueles que decidiram passar por cima das aparências e me conhecer profundamente.
Vivi muitos contos de fadas com fins lastimáveis. Sofri por cada um deles. Guardei no coração, escondido de mim mesma.
E agora, me resta essa vida. Monótona, inerte.
Os pouco amigos que ficaram, vão-se embora lentamente. Quase que suave a partida. Mas eu sinto uma dor que chega a cortar a voz.
O meu conto de fadas virou realidade no momento em que percebi que não dava pra arrumar o cabelo todos os dias porque eu comecei a dormir demais. E quando meus bolsos ficam vazios, também não se tem um final muito feliz. E na vida real existem rotinas a serem cumpridas e tudo fica chato demais ás vezes.
Nem sei como andar aqui. Sinto medo, frio, sono.
Meus pés se curvam e não dão a passada certa todas as vezes e eu ando caindo demais.
Mas enquanto eu durmo, tudo passa. E eu posso sonhar com titanic´s e Austin Aimes.
Também posso ouvir vozes e ver pessoas que já morreram.
E agora eu quero dormir mais...
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