
Ele achava graça da minha mão pequena... Ria quando eu trocava os nomes das músicas que eu fingia conhecer absolutamente.
Quando eu cantava escondida no banheiro quando a água do chuveiro fazia aquela acústica perfeita.
Eu rezava pra que aquilo fosse eterno...
As minhas roupas justas e o meu casaco de pele. As minhas botas finas e elegantes por cima da calça jeans e ele pensava: "como aquilo entrou nela?"
Cada linha do meu rosto em que ele passava o dedo e pintava com sua memória.
Quando ele fazia aquela cara de menino carente e me chamava pra tomar sorvete na praça.
O meu cheiro era sempre o melhor, meu sorriso era sempre o mais doce, minhas músicas sempre as mais encantadoras canções de amor.
Eu parecia voar toda vez que ele me tocava... Ele esperava o momento certo.
Paciência com minhas dúvidas, meus medos, minhas crises...
Eu era a menina dos olhos dele.
... A janela estava aberta e o Sol entrou cabuloso e bateu justamente na minha cara.
E eu acordei!
Deve ter durado mais ou menos parte da noite até eu ver os amigos correndo bebados e semi nus pelo corredor da casa, pedindo café, ou mais um gole de cachaça.
O bafo de álcool espanando um pedido de "sexo". Argh!
E depois as gigantes e conflitantes crises de ciumes sem fundamento.
... Acordei num salto!
Pulei da cama, vesti uma roupa qualquer, lavei o rosto e fui trabalhar...
Independência!
Rompi a casca do ovo e liberei o último "sapo".
E ouvi alguém dizer: "Welcome back!"
E comecei a escrever sobre como sexo e brigadeiro tem o mesmo sabor no final...
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